25
maio
11

Criticar é Mole, Difícil é Elogiar ou A Inveja é uma Merda

Vamos lá. Você pode gostar ou não do Clipe da Banda mais Bonita da Cidade. Uns de apaixonaram de primeira, outros odiaram de primeira, outros se apaixonaram de primeira e agora detonam porque dependendo de seu meio, pode ser tão cool adorar quanto detonar.

Todo mundo sabe que na música muito pouco se cria e quase tudo se copia, não é a toa que temos pouquíssimos gênios consagrados e que realmente mudaram a direção da música pop e rock nos últimos 60 anos.

Uma coisa é fato: Para desespero e inveja de muitos, os caras, que tem outras músicas boas, outras nem tanto, fizeram um clipe magistralmente bem dirigido, com um refrão (a música é só o refrão) que pega e não sai da cabeça e se tornaram um dos maiores fenômenos da dobradinha música e internet.

Dentro do que o mercado hoje permite, eles vão fazer sucesso, vender mais discos que 90% das outras bandas, fazer um monte de shows e conseguir um espaço na mídia que todos outros músicos e bandas mais desejam. Esse é um dos grandes motivos para nossa cena ande tão FUDIDA! A falta de união, os músicos que são “verdadeiras metralhadoras ambulantes” quando se tratam de criticar e desmerecer o trabalho alheio. Eu nos meus seis anos e pouco nessa área me canso de ver bandas que dividem uma noite e sequer ficam para assistir e prestigiar o show da outra que está na mesma batalha. Quando não vão embora após o show, vão para o lado de fora falar mal.

Se você é público, beleza! Tem todo direito de explicitar tudo que acha de forma aberta, amando ou odiando. Mas se você é profissional do meio, apenas elogie quando gostar, quando não gostar, abstenha-se, pelo menos em público ou na “grande nuvem” que é a internet. Claro pode falar mal para os amigos íntimos, ou em rodas mais fechadas, mas esculachar para todo mundo pega mal pra caramba, mesmo que com razão, fica parecendo inveja.

Enfim, apenas para terminar. Estão criticando a banda pelo “plágio” do Clipe, mas cansam de ver filmes que são “verdadeiros plágios” de direção (eu prefiro o termo inspiração ou referência), Babam o ovo para Led Zeppelin que tem diversas músicas que poderiam ser consideradas verdadeiros plágios, principalmente nos riffs de guitarra, Ajoelham para Legião Urbana que se “inspirou muito” em bandas como U2, e The Smiths por exemplo, e nunca sequer levantaram uma palavra a respeito da “identidade” entre Paralamas e The Police. Poderia citar mais um milhão de bandas assim. E PARA NÃO FICAR MAL ENTENDIDO NENHUM, ADORO PARALAMAS, AMO LED ZEPPELIN E TENHO PROFUNDO RESPEITO PELA LEGIÃO URBANA. Assim como pela “Banda mais Bonita da Cidade” Se eu gostei do clipe? Bem, isso não vem ao caso, pelo menos aqui, quem quiser saber o que penso me pergunte em privado. Abraços e desculpem a sinceridade, mas infelizmente faltam muita união e corporativismo em nosso meio.

14
maio
10

Flamengo e a Seleção Húngara.

Alguns sabem outros não, que sou filho de Hans Henningsen, o “Marinheiro Sueco”. Meu pai fez parte de Resenha Facit junto com Armando Nogueira, Luiz Mendes, Nélson Rodrigues (responsável por seu apelido), João Saldanha, José Maria Scassa e talvez outros que não vem a minha memória.

Fui criado no meio desses gênios fosse em festas lá em casa, nas casas deles ou no boteco de Miguel Lemos. Por falar sete idiomas, conhecer todo mundo e ser absurdamente popular, meu pai foi contratado pela Puma para ser seu “homem de marketing” . Foi ele quem pela primeira vez contratou um jogador para usar uma marca de chuteira. Como foi dele a idéia de Pelé após o gol parar no círculo central e amarrar a chuteira. Isso gerou na época uma celeuma enorme. O pessoal da Addidas enlouqueceu com e exposição de marca “inimiga”

Fui criado com todos esses craques freqüentando minha casa: Pelé, Zico, Junior, Rivelino, Doval, Kempes, Jorginho, Bebeto, até Maradona conheci bem. Isso sem falar em inúmeros outros nomes tão importantes quanto. Até Émerson Fittipaldi conheci lá em casa no Bairro Peixoto em 74, ano em que acabou se consagrando bi campeão.

Aos 14, 15 anos eu já ganhava uma graninha para levar junto com o motorista da Puma material esportivo para a seleção brasileira e outras que por ocasião estivessem no Brasil.

Mas isso na verdade é apenas uma introdução ao assunto.

Uma das histórias que ouvi de Armando Nogueira remete ao ano de 1954, mais precisamente ao Mundial: O maravilhoso time da Hungria tinha um segredo: Antes do jogo ao invés dos jogadores fumarem seus cigarros enquanto calçavam suas chuteiras calmamente para ir a campo, o Húngaros se aqueciam, coisa que nenhum outra seleção fazia.

Esta “inusitada” tática quase rendeu a Seleção Húngara o campeonato mundial. Enquanto seus adversários entravam frios e desligados, os Húngaros já entravam fervendo. Sabe qual o resultado? Em todos os jogos, inclusive na final antes dos 20 ou 30 minutos de jogo já ganhavam de 2 x 0.

Depois a história não foi tão feliz assim, mesmo perdendo de 2 x 0 no inicio, a Seleção Alemã conseguiu virar e sagrou-se campeã.

Bem. Justo agora, lendo a Coluna do Calazans, descubro que o time do Flamengo não aqueceu devidamente, pois o ônibus que trazia a delegação foi “pego de surpresa” pelo engarrafamento no Rio de Janeiro devido ao forte tráfego do Hotel Windsor na Barra da Tijuca até o Maracanã em plena quarta feira de trabalho na hora do Rush.

Será que ninguém no Flamengo sabe que Barra da Tijuca, Maracanã, Linha Amarela, Rebouças, Praça da Bandeira, engarrafam na hora do rush? Somando-se isso tudo, será que algum dirigente do Flamengo se lembrou que a maior torcida do Brasil iria lotar o estádio com 70.000 pessoas na hora da partida, complicando um “pouquinho” mais o trânsito por lá?

Enfim, o time chileno aqueceu, e os dirigentes e comissão técnica do Flamengo trabalham com o mesmo profissionalismo que os outros times da Copa de 54, menos a Hungria é claro, que já aquecia desde então.

Ricardo Henningsen, (Boris).

30
dez
09

Dica: Danko Jones

Em maio 2007 estava em milão na Itália produzindo dois programas para o Sportv. O pouco tempo que tinha livre aproveitei para visitar a Capela Sistina, ver a Última Ceia, passear pelo castelo medieval Sforza e além do famoso D’uomo. Parte das gravações eram em Milanello, o CT do Milan que ficava a mais ou menos uns 40 Kms de Milão, no qual íamos num possante AUDI Q7. O motorista conversava animadamente conosco, gesticulando e olhando para trás, como todo italiano, e o ponteiro do velocímetro marcava em torno de 160, 170 Km/h enquanto viamos ao fundo os Alpes nevados da fronteira com a Suiça, apesar de ser primavera e estar fazendo calor. Mas não disso que quero falar, e sim que quando chegavamos ao Hotel já tarde da noite, ligava um pouco a TV, e o mais legal, no Rock Channel! Nada MTV, nada de VH1 e sim um canal 24 hs. de programação Rock’n’Roll!

Dentre vários artistas que assistí, um me chamou atenção, tocava um som pesadíssimo com muitas influências em AC/DC e outras bandas setentistas de primeira linha, e o mais legal, apesar das influências, um som cheio de indentidade e originalidade, um puta Power Trio! Anotei o nome na agenda e procurei me aprofundar um pouco na Banda e quando cheguei ao Brasil consegui seus discos. Sempre ouço e tenho até algumas músicas da banda tocando no Saloon 79. Agora, passados dois anos e meio, descobri que a banda canadense é considerada a maior banda de rock independente do momento, e esteve inclusive fazendo shows no nordeste do Brasil. Com vocês: Danko Jones!

23
dez
09

Mais uma da série: Plágio, inspiração, chupa cabra ou coincidência?

Volta e meia surgem bandas novas queridinhas da mídia e ditas revolucionárias. Os “muderninhos de plantão exaltam e dão boas vindas as novidades. Uma das bandas que na época causou grande comoção naqueles que execram o antigo foi The Strokes. Pois bem, a intodrução de Last Night é um tremendo “chupa cabra” de “American Girl” (1978, Tom Petty & The Heartbrakes). Com Weezer e Lita Ford a coisa é tão escrachada que só pode ser sacanagem. Acho que nem plágio é, só pode ser versão! Bom se alguém ainda tiver paciência é só conferir!

22
dez
09

Para chocar os chiitas de plantão. Homens do Pântano

Quem me conhece sabe que minha onda é rock clássico e blues. e sempre torci o nariz para a maioria das “fusões de estilos” no rock`n`roll. Ano passado durante o Duelo no Saloon, literalmente meu queixo caiu. Pense numa banda de “Rapcore” com três vocalistas enlouquecidos no palco, cavaquinho, uma cozinha cheia de peso e groove além de um guitarrista com uma onda totalmente Jimi Hendrix. Pois bem, esses são os “Homens do Pântano” banda que me tornei fã de carteirinha! Vou então falar menos e postar uma música deles. Trem suas próprias conclusões! Agora por favor, lembrem-se que é um vídeo amador com o som “overall”, isto é captado direto pelo mic da câmera, sem passar por qualquer tipo de mesa ou correção.

22
dez
09

Não posso e não devo falar apenas de classic rock.

Não posso e não devo aqui falar apenas de rock classico e “mainstrean”. Assisto muitas centenas de shows aqui no Saloon 79 e vou criar aqui nesse blog um espaço para divulgar as bandas de trabalho autoral que mais aprecio e até mesmo bandas que não sendo digamos do meu “estilo e gosto pessoal” me surpreendem pela competência, qualidade e criatividade. É comum ouvir por aí alguns jargões: “A mais de vinte anos não surge uma banda de rock decente”, “O rock morreu, não se faz nada de bom!” Sorry people, mas é falta de conhecimento, falta de vontade de buscar boas bandas! Hoje temos acesso ilimitado a informação, não somente no Saloon 79, mas também no myspace, Facebook, Orkut, Youtube, Bandas de Garagem e palcos virtuais da vida. Temos milhares de bandas sensacionais, e as pessoas continuam indo somente atrás do óbvio. Claro que existem bandas novas que são Phodas com PH maiúsculo. Em contra partida sabemos que hoje qualquer um grava e publica seu trabalho na internet, e tem muita banda que ainda não está pronta fazendo isso. Então me sinto no dever de divulgar algumas bandas que conheci tocando ao vivo no Saloon e que me surpreenderam. No próximo post já publico uma delas.

22
dez
09

De onde e como surgiu o Led Zeppelin?

Esta história gira em torno de três bandas, a principal sendo the Yardbirds. The Yardbirds estavam sendo empresariados por Mickie Most em um período que o tempo e a história mostrariam ser infeliz para a banda. Mickie Most era um produtor pop que conseguiu hits com bandas como Lulu & the Luvers, Herman’s Hermets e Donavon. Para as sessões destes e muitos outros artistas, ele costumava trabalhar sempre com músicos profissionais de estúdio, os artistas verdadeiros raramente participando em seus próprios discos, salvo vocais. Ele tentou trabalhar com os Yardbirds da mesma maneira, o que foi lamentável.

Entre os músicos de estúdio que ele chamava, estava Jimmy Page e John Paul Jones. Mickie Most tinha um sócio chamado Peter Grant. Vendo o descontentamento geral e mútuo entre os Yardbirds e Mickie Most, Grant negocia ficar cuidando dos Yardbirds enquanto Most cuidaria de Jeff Beck, guitarrista estrela da banda que acabaria sendo expulso do grupo. Mas mesmo antes de ser expulso dos Yardbirds, Mickie Most estava fazendo umas sessões com ele. O ano é 1966 e a gravação foi do instrumental conhecido pelo nome de “Beck’s Bolero”.

Alem de Jeff Beck, Mickie Most acertou para esta sessão as participações de Jimmy Page, que além de guitarra rítmica cuidou do arranjo do tema, e Nicky Hopkins no piano. Para a cozinha, foram convidados John Entwistle e Keith Moon. Aqui entra a segunda banda nesta história, The Who.

Existem alguns dados sobre o Who de que poucas pessoas hoje em dia tem ciência. O primeiro deles é o fato de que o Who não era esta unanimidade nem mesmo dentro da banda. The Who era durante a década de sessenta, essencialmente uma banda cult. O que podemos chamar de banda “underground” ou “alternativa”. Eles tinham uma grande legião de fãs entre os mods, mas não eram tão grandes como acabaram se tornando depois de Tommy. The Who na maior parte da década, perdia feio em popularidade para the Kinks, outra banda mod, porem cuja popularidade não se resumia aos mods. Tendo dito isto, pode-se entender incertezas pelos caminhos musicais escolhidos dentro da banda. E estas incertezas eram debatidas constantemente dentro do The Who.

A banda fora montada inicialmente por Roger Daltrey, que aos poucos foi pincelando os músicos que tocariam com ele até chegar à formação que conhecemos como The Who. O empresário que arrumaram, dava tremenda força e atenção para Pete Townshend, e a banda foi cada vez mais tocando apenas coisas escritas por Townshend. Esta mutação foi difícil para o ego de Daltrey. Acontece que Roger Daltrey sempre foi um Teddy Boy de marca maior. A pinta de marombeiro dele não era a toa, Daltry era forte, esquentado e suas inseguranças dentro da banda o tornavam explosivo.

Foram inúmeras as vezes em que Daltrey literalmente partiu para a violência física para ganhar uma discussão dentro do Who. Daltrey já dera tanta porrada em Townshend que este foi parar desacordado no hospital. Considerando esta fase sendo a inicial, é impressionante que a banda conseguiu se manter unida a ponto de os ânimos amainarem e eles se tornarem realmente amigos através do tempo. Porém durante uma outra discussão explosiva, Moon e Entwistle estão de saco cheio e aceitam participar de uma sessão com Jeff Beck, mesmo que proibidos por contrato.

Então Beck’s Bolero foi gravado com Beck, Page, Hopkins, e Moon. No entanto para o baixo Entwistle temeu se prejudicar violando o seu contrato e em cima da hora ligou avisando que não viria. Mickie Most então chamou seu baixista profissional predileto, John Paul Jones. Nesta sessão, Keith Moon aprende o que é tocar com Jimmy Page, Jeff Beck, John Paul Jones, e gosta da experiência. Moon, agitado como conhecemos, provoca os outros para a idéia de montarem uma banda. Pelo o que se conta, tanto Jimmy Page quanto Jeff Beck acharam a idéia atraente. John Paul Jones passou a ligar ocasionalmente para Page garantido o seu interesse em participar de qualquer trabalho que ele queira fazer e Keith Moon ao que tudo indica se mostrava bastante feliz com a idéia de deixar o Who. O que faltava era um vocalista.

Jimmy Page sondou primeiro Steve Winwood, que já saíra do Dave Clark Five mas aparentemente já estava com Traffic meio formado. Page então procurou Steve Marriott do Small Faces, conversando primeiro com seu empresário. Este ameaçou quebrar todos os dedos da suas mãos se tentasse tirar Marriott dos Small Faces. A ameaça amedrontou Page e ele acabou desistindo da idéia por completo. O tempo passando, os eventos que se seguiram levaram Jeff Beck a ser expulso dos Yardbirds e começar lentamente a montar as fundações para o Jeff Beck Group. Steve Winwood e Traffic acabariam dando certo, Keith Moon voltaria a se encaixar no Who até a próxima grande briga e Jimmy Page assumiria um papel prioritário nos Yardbirds. A ideia da nova banda foi esquecida. John Paul Jones continuaria a fazer dinheiro como músico de estúdio e Nicky Hopkins além de seus trabalhos de estúdio excursionaria com algumas bandas por períodos pré-estabelecidos.

Foi então na primavera de 1968, com os Yardbirds excursionando os Estados Unidos pela ultima vez, que a banda se desintegraria por completo. Irritado com um show ao vivo mal gravado e frustrado com a possibilidade da gravadora lançar o produto apesar da qualidade desqualificável (o que acabou acontecendo em 1971), a banda volta para Londres pronta para acabar. Enquanto não chegam dos Estados Unidos, um dos assistentes de Peter Grant, que acabaria tendo um papel majoritário no Led Zeppelin, chamado Richard Cole, está sentado em um bar com Keith Moon e John Entwistle, ambos novamente putos com Roger Daltrey após mais uma briga sangrenta. É aqui e nesta noite, conversando com Richard Cole que voltam a cogitar montar aquela banda com Jimmy Page e Steve Winwood. Foi então que Keith Moon proferiu sua famosa analogia sobre o som que eles fariam soar como um zepelim de chumbo.

Quando Richard Cole encontrou-se com Jimmy Page, contou-lhe dos comentários de Moon e sua idéia de chamar aquela banda de Lead Zeppelin. Alguns meses depois, após montar a banda nova, sentiu no som a firmeza necessária para se garantir sem ter que se calcar no uso do nome Yardbirds. Page e Jones estudaram alguns nomes para a banda, dois deles sendo Whopee Cushion e Mad Dogs, este último acabando por ser aproveitado mais tarde por Joe Cocker. Foi quando Page lembrou da sugestão de Moon e nasceu assim Led Zeppelin. O Led escrito sem o “a” para não haver dúvidas quanto à pronuncia certa.

Enfim, estes são os detalhes muitas vezes esquecidos sobre a verdadeira forma como se chegou ao nome Led Zeppelin.